O Mestre se preocupava com todas
as pessoas que sofriam. O amor que tinha por elas o incomodava. Ele gastava
tempo procurando aliviar suas dores, resgatar sua auto-estima, estimulando-as a
não desistir da vida. Desejava ardentemente que cada pessoa não se sentisse
inferior diante do desprezo das dificuldades sociais que viviam.
A emoção do mestre era
imensurável; a dos fariseus, estreita. Se alguém almejasse ser seu discípulo,
tinha de alargar os horizontes do seu pequeno mundo e incluir as pessoas, tinha
de se deixar ser invadido por um amor que o impelisse a cuidar delas.
Cristo dizia que os sãos não
precisavam de médicos. Os fariseus, embora estivessem doentes em sua alma, se consideravam
abastados, plenamente sadios, portanto não precisavam dele.
Para o mestre, o importante não
era a doença do doente, mas o doente da doença. O importante não era o quanto
as pessoas estavam doentes, o quanto erraram ou estavam deprimidas e
angustiadas, mas o quanto elas reconheciam suas misérias emocionais. Os que
tinham coragem para reconhecer-se doentes, sentiam mais o calor do seu cuidado.
Os moralistas, por serem auto-suficientes, nunca se aqueceram com as chamas de
sua emoção.